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A fotografia do meu antigo amor dançando tango

Diego Moraes

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Categoria: Conto

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Descrição

A primeira coisa a ser dita é que Diego Moraes não é escritor, mas cineasta. Coloquem uma câmera em suas mãos e ele fará algo entre Cassavetes e Tarantino. A segunda coisa a dizer é que, depois desta primeira afirmação, nada de mais importante será dito sobre Diego Moraes. Ocorre que qualquer fato pode ter várias versões. Vamos apresentar outras. Conheci Moraes em 2003. Sempre o via pelos bares do centro de Manaus, seguido de perto por um séquito de puxas-sacos que o considerava um novo Rimbaud. Na época, Moraes acabara de ser demitido do emprego de maqueiro da UTI de um grande hospital da cidade. Apesar de não exercer mais a função, os cadáveres continuavam a segui-lo. Impressionava-me na época a paixão que Moraes tinha pelas narrativas que escrevia, as quais ele sacava do bolso em papéis escritos à caneta bic azul e amassados como suas esperanças. Eu não entendia como sua vontade de escrever poderia ser tão diametralmente oposta à sua falta de leitura e de conhecimento literário. Porque na época Diego Moraes havia lido pouco e talvez nunca tivesse (até então) lido um único livro inteiro. Só que nele a ignorância se revelava não como defeito, mas qualidade. Pois do pouco que sabe Moraes extrai muito, e este “muito” chega às mãos do leitor sem os filtros teóricos do bom-senso ou do bom-gosto. Esta falta de verniz literário cede às suas narrativas este ritmo abrupto, ingênuo, e conciso, que têm – uma aparente falta de acabamento que Moraes aprendeu das lições que tomou de John Fante. Aliás, “1933 foi um ano ruim” talvez tenha sido o único livro que Moraes leu inteiro. Notem como suas narrativas acabam quase todas subitamente inconclusas, como se ainda sofressem da falta de jeito dos rascunhos. Podemos chamar esta técnica de estética do coito interrompido, que Moraes aprimorou intuindo cortes cinematográficos para seus textos breves e enlouquecidos. Em seus diálogos, por exemplo, Diego Moraes chega a atingir a perfeição entre imagem e ritmo. Só que esta perfeição não foi alcançada no estudo das peças de Beckett, mas assistindo aos filmes da Sessão da Tarde, a partir dos quais Moraes esmerilhou sua esgrima fraseada repleta de interrupções (leiam Anais Nin do Butantã e concordem comigo).

De resto, Moraes escreve para se vingar – de ex-namoradas, de antigos e novos desafetos (dentre os quais se encontram muitos dos que, em 2003, compunham aquele séquito de admiradores). E a vingança é o melhor combustível para a escrita. Sobretudo para Diego Moraes, que é um sujeito deliciosamente paranoico – ótima qualidade para um escritor. Tanto que você não gostaria de tê-lo como vizinho. Mas, obviamente, adorará tê-lo na prateleira de sua biblioteca. O que temos então em Fotografia do meu amor dançando tango é uma colagem híbrida de narrativas que passeiam entre a Sessão da Tarde e a literatura consumida às pressas. São narrativas curtas, nas quais o autor não perde tempo com descrições, preferindo ir direto ao centro do tumulto no qual suas personagens respiram.

Leiam Fotografia do meu amor dançando tango. Mas o melhor seria filmá-lo.

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